Uma etapa de incerteza e transformação
Existe um período da vida, ainda sem um nome específico, em que surge um chamado interior: um convite para repensar a maternidade, para decidir se você quer ou não ter filhos. É uma etapa onde aparece a ideia de ser mãe ou pai, mas também a de não sê-lo, ou de não saber se deseja isso, de querer e não conseguir, ou de não saber como alcançar. Este é o mundo de Antes de ser mãe, ou não; antes de ser pai, ou não.
Uma etapa para a qual não temos uma palavra concreta e sobre a qual pouco se fala do que realmente acontece. No entanto, muita coisa acontece, podendo tornar-se uma banda sonora silenciosa que permanece no fundo.
No mundo linear, aquele que segue a lógica da mente, pensa que chegará um dia em que será claro para ela se quer ser mãe, se é que nem sempre foi claro para ela. Então, encontra um possível pai para a criança, se ainda não tiver um parceiro, concebe e torna-se mãe. Ou, na outra versão, um dia verá claramente que este não é o seu caminho, decidirá não ser mãe e abrir-se-á à alegria da sua liberdade para sempre. E pronto, tudo resolvido.
Mas a verdade é que não é assim tão simples. No mundo real, aquele que está para além da superfície, não existe apenas uma bifurcação de caminhos, mas sim um vasto leque de situações e processos diversos.
A liberdade de decidir
Não temos nome porque, durante muito tempo, nunca foi necessário ter um. Crescia-se, casava-se, tinha-se filhos e a próxima geração continuava. Não se falava dos medos, dos desejos, da frustração ou da incerteza. Da possibilidade de escolher — e do preço que isso implica. E quem ficava fora dessa roda, muitas vezes carregava um peso silencioso.
Hoje vivemos numa época em que temos a liberdade de decidir se queremos ou não ser mães. Um tempo em que os conceitos de casal, família, vínculo e relações estão em constante transformação, e onde nos deparamos com realidades muito diferentes das das gerações anteriores.
Diversas possibilidades
Neste processo de Antes de ser, ou não, mãe, encontramos muitas situações que talvez antes não existissem ou simplesmente não fossem visíveis. Um leque amplo e diverso de realidades que muitas vezes passam despercebidas. Cada uma destas experiências convida a um profundo questionamento e aprendizagem, como acontece nos seguintes casos:
- Relações e decisões em solitário
Algumas pessoas desejam ter filhos, mas o companheiro ou companheira não partilha esse desejo — seja porque já tem filhos, ou porque isso não faz parte dos seus planos de vida. Outras optam por seguir esse caminho sozinhas, recorrendo à inseminação com doador. - Dúvidas e incertezas
Há quem não saiba se quer ter filhos agora ou no futuro e viva sob a pressão do relógio biológico. Algumas decidem vitrificar os ovócitos, pagando um preço emocional, físico e financeiro, caso no futuro decidam ser mães. Outras adiam a decisão porque é doloroso demais enfrentá-la. - Dificuldades no caminho
Algumas pessoas tentam engravidar, mas encontram dificuldades e vivem com angústia e stress a espera, recorrendo a vários métodos de fertilização. Há quem consiga engravidar, mas perca o bebé antes do tempo. - Escolhas pessoais e novos caminhos
Para algumas pessoas, a maternidade é o único caminho que dá sentido à realização pessoal. Outras, mesmo por escolha própria, vivem o luto de não ser mães. Há quem considere adotar ou acolher crianças. E há quem descubra que não ser mãe ou pai abre espaços inesperados para explorar outras paixões e construir uma vida plena de outras formas.
Cada uma destas situações pertence ao mundo da Antes de te tornares, ou não, mãe e requer processos internos importantes. São vivências que colocam desafios emocionais e, muitas vezes, exigem romper com heranças inconscientes e crenças familiares. Mas também abrem oportunidades de crescimento, clareza, liberdade e paz interior.
Um espaço para explorar este processo
No curso Antes de ser mãe ou não, vamos explorar esses desejos e medos em torno da maternidade a partir de uma visão sistémica. Identificaremos crenças limitantes e ampliaremos o olhar sobre diferentes modelos de maternidade e paternidade, como a maternidade em solitário ou a coparentalidade, considerando diferentes formas de conceção. Também revisitaremos a relação com a mãe, o pai, os ex-companheiros e os possíveis abortos, através de dinâmicas sistémicas e constelações familiares.
Se este processo ressoa com você, pode juntar-se ao curso. As inscrições para a terceira edição já estão abertas.
E talvez, num futuro próximo, encontremos uma palavra para nomear esta etapa da vida. 🌱