Ancestrais e Migrações: Moçambique através das Constelações

El Blog Laura Ledesma

Voltar para casa: a minha ligação com Moçambique

Depois de ter passado algumas semanas em Moçambique este inverno, volto com o coração cheio de alegria. Através das constelações familiares que facilitei durante a minha estadia em Maputo, pude embarcar numa nova viagem à ancestralidade e às migrações que moldaram esta terra mágica, onde vivi durante quatro anos e onde me sinto sempre em casa.

Um país onde o respeito e o cuidado entre as pessoas continuam a impressionar-me. Uma terra acolhedora que fala no plural: um “nós” que inclui o vizinho, o visitante, o estrangeiro. Um “nós” que poderia inspirar as sociedades ocidentais. Uma terra que ainda hoje me ensina a viver com mais leveza, mais conexão com a natureza e com as pessoas. Um lugar onde a música e a dança transformam qualquer preocupação num momento presente, e onde o tempo tem outro ritmo — sem correria. Uma terra ancestral, onde os antepassados são honrados e permanecem vivos no quotidiano.

Moçambique: Confluência de Civilizações em Constelações

Moçambique é também uma terra de migrações, e é sobre isso que gostaria de falar hoje. Nas diferentes constelações familiares, surgiram com frequência conflitos ligados ao encontro de diferentes civilizações.

Ao longo dos séculos, Moçambique acolheu muitas comunidades: desde a chegada dos povos Bantu no século I, passando pelos comerciantes árabes e indianos entre os séculos X e XIX, até à colonização portuguesa – que começou no século e se estendeu até o século passado-, e mais recentemente, a presença de comunidades chinesas neste século. Para aprofundar esta história rica e complexa, podes ler mais aqui.

Na maioria dos casos, a chegada destes novos habitantes não foi harmoniosa. Os colonizadores chegaram com o objetivo de conquistar terras, explorar os recursos naturais e utilizar a mão de obra local. Estabeleceram-se hierarquias sociais que geraram importantes desequilíbrios de poder. E, neste movimento de vinda e ida, os genes de uma civilização e de outra misturaram-se, dando origem à identidade moçambicana atual.

Reconhecer os nossos antepassados nas constelações

O trabalho que realizámos nas constelações consistiu em termos a capacidade de reconhecer e olhar com respeito para os nossos próprios antepassados — aqueles que foram colonizadores e subjugaram as populações locais, assim como os que, enquanto comerciantes, exploraram a mão-de-obra local para obter mais lucros, e também os que recorreram à violência para garantir um lugar para si.

É difícil aceitar que antepassados que causaram dor também fazem parte do nosso sistema familiar. Que, mesmo que as suas ações sejam questionáveis, como seres humanos têm o direito de serem vistos. Quando reconhecemos que eles também viveram dificuldades e decisões complexas, conseguimos ver que fizeram o que souberam ou puderam. Queiramos ou não, fazem parte da nossa história familiar.

Reconciliação familiar através das constelações

Pode ser difícil dar um lugar no coração ao trisavô colono que engravidou a trisavó, uma mulher da comunidade, e depois desapareceu, sem nunca reconhecer nem conhecer o próprio filho. É mais fácil esquecer o tetravô do que integrá-lo conscientemente. Mas se estou aqui hoje, é também por causa dele. O tetravô também desempenhou um papel na minha existência, apesar da sua ausência. Do mesmo modo, pode custar acietar um antepassado enriqueceu à custa do sofrimento de muitos outros.

Foi igualmente libertador olhar com dignidade e respeito para as vítimas. Reconhecer a dor que viveram. Dar-lhes um lugar no nosso coração trouxe-nos, durante estes encontros de constelações, uma humildade profunda e um olhar mais amplo sobre a vida.

E mesmo que o trisavô não ocupe espaço no meu dia a dia, colocá-lo no lugar certo dentro de mim ajuda-me a abraçar partes minhas que às vezes rejeito ajuda-me a abraçar melhor as minhas próprias partes interiores que rejeito e a acolher pessoas que, à primeira vista, poderia julgar como más.

Olhar para os meus antepassados com um coração limpo — incluindo todos — dá-me força e enraizamento. Coloca-me no meu devido lugar. Não acima deles, como quem julga, mas atrás, reconhecendo os seus destinos. Isso dá-me paz para cuidar do meu próprio caminho. E energia para cumprir a minha missão nesta vida.

Reflexões finais sobre as nossas raízes

Em conclusão, ao olhar para trás, percebemos que somos todos um pouco daqui e um pouco dali, e que, no fundo, somos todos um pouco conquistadores e um pouco vítimas. E aqueles que rejeitamos como estranhos ou maus também fazem parte de nós. Esta experiência levou-me a perguntar: e nós, com as nossas próprias histórias de conflito — como a guerra civil em Espanha no caso dos meus anestrais, ou as vivências de guerra e reconstrução aqui em Moçambique —, seremos capazes de nos reconciliar internamente com os dois lados?

Gostaria de explorar a sua história familiar e reconciliar-se com os seus antepassados?
A constelação familiar é uma ferramenta profunda para compreender como a ancestralidade e a história da sua família influenciam a sua vida atual. Pode marcar uma constelação individual online, a partir de Moçambique ou de onde estiver. Clica aqui para veres a agenda completa e reservares o teu lugar. Também podes fazer uma marcação para uma constelação individual, pessoalmente ou online.

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